
Com os anúncios da empresária e influenciadora Val Marchiori e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), o câncer de mama se tornou um assunto recorrente nesta semana. Ambas revelaram terem sido diagnosticadas recentemente e que seguem em tratamento.
Val deu a notícia durante um vídeo nas redes sociais, publicado no dia em que foi informada do diagnóstico, no dia 26 de agosto. Já Damares trouxe o assunto à tona em uma reunião de instalação de subcomissão temporária para debate de propostas relacionadas à prevenção e ao tratamento da doença no Senado, no dia seguinte.
“Há um mês eu fui diagnosticada com câncer. Em 18 dias, eu consegui fazer todos os exames e a cirurgia. Com cinco dias, eu estava aqui no Senado trabalhando, com um pouquinho de dor, mas com todos os cuidados”, disse a senadora.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é um dos tipos mais comuns entre brasileiras. Para o triênio 2023-2025, a previsão do instituto foi de que 73.610 casos novos por ano seriam registrados no país.
Nos casos da doença, o diagnóstico precoce pode ser essencial para garantir um tratamento eficaz. Especialistas apontam alguns sinais que não podem ser ignorados e que podem indicar o câncer de mama.
O que é o câncer de mama
A oncologista Juliana Alvarenga explica que o câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação descontrolada de células da mama.
O câncer de mama acontece quando células da mama começam a crescer de forma desordenada, formando um tumor que pode se espalhar para outras partes do corpo. Ele é o tipo de câncer mais comum em mulheres no mundo, depois do câncer de pele não melanoma.
Juliana Alvarenga, oncologista do Ellas Oncologia
Apesar de ser mais comum em mulheres, homens também podem ser diagnosticados com a doença, como explica a oncologista Vitória Sampaio. Os casos são mais raros, representando apenas 1% dos casos.
Entre os fatores de risco, segundo a especialista do Hospital Santa Rita, estão “idade avançada, histórico familiar da doença, mutações genéticas herdadas (como BRCA1 e BRCA2), obesidade, sedentarismo, consumo de bebida alcoólica e terapia de reposição hormonal.”
Sinais que podem indicar câncer de mama
As duas especialistas explicam que nem sempre o câncer de mama apresenta sinais, principalmente no início. Entretanto, alguns sinais podem ser identificados pelas próprias pacientes.
Os principais sinais são:
- Nódulo (caroço) na mama ou na axila que não desaparece;
- Alterações na pele da mama, como retrações, aspecto de “casca de laranja” ou vermelhidão persistente;
- Secreção anormal pelo mamilo, especialmente se for com sangue;
- Mudança no formato ou tamanho da mama sem motivo aparente;
- Alterações no mamilo, como inversão súbita ou feridas que não cicatrizam.
Nem sempre, de acordo com Vitória Sampaio, a presença desses sinais significa necessariamente câncer, mas exige avaliação médica com exames clínicos e até mesmo mamografia, ultrassonografia e biópsia.
Quando começar o rastreamento do câncer
Por se tratar de uma doença relativamente comum e na qual o diagnóstico precoce é essencial, as agências nacionais e internacionais de saúde recomendam algumas atitudes de rastreamento.
De acordo com Juliana Alvarenga, no Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia a cada 2 anos, para mulheres de 50 a 69 anos sem fatores de risco. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia e outras entidades médicas, defendem iniciar o acompanhamento anual a partir dos 40 anos, ou 10 anos antes, no caso de câncer de mama em familiar.
“Mulheres com alto risco (histórico familiar importante, mutações genéticas como BRCA1/2, entre outros) devem começar antes, de forma individualizada, conforme orientação médica”, afirmou.
Durante o relato publicado nas redes sociais, Val Marchiori afirmou que estava compartilhando seu relato pois ela mesma tinha medo de realizar a mamografia. “Mulheres não deixem de fazer mamografia. Não deixem de fazer por medo porque, quando a gente faz antes, já consegue resolver”, afirmou.
Vitória Sampaio ainda destaca que o autoexame também podem ser um grande aliado na identificação precoce da doença. Apesar de não substituir a mamografia, pode ser um aliado para que a mulher conheça melhor o próprio corpo e procure atendimento médico caso perceba alterações.
O câncer de mama é uma doença grave, mas tem altas chances de cura quando identificado precocemente. Portanto, é imprescindível ficar atento aos sinais do corpo e aderir ao rastreamento.
Vitória Sampaio, oncologista