Médica agredida por namorado fisiculturista em SP quer voltar a trabalhar após passar por cirurgias


Samira Mendes Khouri pretende retomar a carreira na Medicina após se recuperar de agressões
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A médica Samira Mendes Khouri, que foi espancada pelo namorado, o fisiculturista Pedro Camilo Garcia Castro, pretende retomar a carreira assim que se recuperar dos ferimentos. Ela cursava uma pós-graduação, mas precisou trancar o curso após o episódio de violência. Segundo apuração do g1, a jovem ainda deverá passar por um novo procedimento cirúrgico no rosto.
As agressões ocorreram na madrugada de 14 de julho, em um apartamento alugado pelo casal em Moema, na capital paulista. A vítima foi socorrida por policiais militares e internada na cidade até o dia 16, sendo posteriormente transferida para Santos, onde mora. Ela recebeu alta em 27 de julho.
Durante o ataque, Pedro Camilo fraturou um osso da mão. Ele fugiu para Santos, mas acabou detido pela Polícia Militar. Em audiência de custódia, ele teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. Pedro Camilo foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por tentativa de feminicídio, com emprego de meio cruel e por motivo fútil.
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Samira contou que tem vontade de voltar a atuar no pronto-socorro onde trabalhava em Cubatão. “Os meus pacientes são muito importantes para mim e o hospital onde eu trabalhava também é muito importante para mim”, explicou a médica.
No entanto, a profissional não tem prazo para retornar ao trabalho. “Pretendo voltar assim que eu me restabelecer, fizer todos os tratamentos, todas as fisioterapias e for liberada por todos os médicos que estão me acompanhando”, explicou.
Apesar do desejo de retornar ao serviço, a médica não sabe dizer se o episódio de violência trará reflexos. “Ainda não consigo imaginar muito o futuro porque eu estou focada na minha recuperação”, disse a jovem.
Pós-graduação
Conforme apurado pelo g1, Samira fazia pós-graduação em Nutrologia, mas precisou trancar o curso por conta das agressões.
“Faltavam 3 meses para acabar, não houve jeito de continuar”, lamentou a mãe da médica, Fabiana Mendes. Ela afirmou, porém, que a filha também deve retomar os estudos quando estiver recuperada.
Recuperação
Samira morava em Santos com o pai, mas está vivendo no interior de São Paulo ao lado da mãe por conta do tratamento.
“Ela está totalmente dependente de mim no momento, física e psicologicamente”, explicou Fabiana.
De acordo com ela, Samira é atendida por uma equipe multidisciplinar e ainda deve voltar à sala de cirurgia. “Ela tem que fazer enxerto ósseo ainda ou a prótese no rosto”, relatou Fabiana.
Tatuagens
Samira tem três tatuagens em homenagem ao agressor. Ela pretende remover os desenhos. Ao g1, a jovem contou que as tattoos foram feitas a pedido de Pedro como espécie de prova de amor.
Confira as tatuagens de Samira:
O nome Pedro no antebraço;
O desenho do beijo dele debaixo do nome, também no antebraço;
A inicial dele, ou seja, letra P, no ombro.
Samira Mendes Khouri tem três tatuagens em homenagem a Pedro Camilo
Arquivo Pessoal
Relato da vítima
A médica disse que o então namorado chegou nervoso no apartamento após ter sido expulso de uma balada LGBTQIA+. Ele teria arrumado uma confusão no evento porque sentiu ciúmes de um homem que, segundo Samira, era homossexual.
Já dentro do apartamento, segundo o relato, Pedro deu o primeiro soco e a vítima caiu no chão, onde continuou a ser espancada após perder os sentidos. Ela alega que, em determinado momento, retomou a consciência e percebeu que ainda estava sendo agredida.
Vídeo mostra fisiculturista com mão quebrada em fuga após 6 minutos espancando namorada
A médica decidiu fingir estar desmaiada por medo de ser morta por Pedro. Samira pensou que se o fisiculturista a estava agredindo daquela forma achando que ela estava desacordada, poderia fazer pior ao perceber que estava consciente.
As agressões duraram aproximadamente seis minutos e a vítima lembra de Pedro ter dado mais de dez socos após a médica acordar. Em seguida, ele fugiu com o celular e o carro de Samira, que disse acreditar que o fisiculturista provavelmente não gostaria que ela fosse socorrida.
Samira Mendes Khouri, de 27 anos, foi espancada pelo ex-namorado Pedro Camilo, de 24, em São Paulo (SP)
g1
Pedro foi preso na Avenida Presidente Wilson, no bairro José Menino, em Santos, no dia 14 de julho. Ele deixou a capital paulista após cometer o crime.
O g1 obteve as imagens do Controle Operacional (CCO) da Prefeitura de Santos, que auxiliaram na prisão do fisiculturista, e registraram a detenção (assista abaixo).
Defesa
Ao g1, o advogado Eugênio Malavasi, que representa o acusado, informou que a defesa somente irá se manifestar “no momento processual oportuno”.
Vídeo flagra prisão de fisiculturista durante fuga após espancar a namorada médica
Recuperação
A médica de 27 anos ainda sofre com sequelas físicas e deverá passar por novas cirurgias reparadoras. De acordo com a advogada dela, Gabriela Manssur, Samira começou a retomar a memória sobre as agressões e se movimentar com mais segurança.
A vítima, que já foi submetida a diversas cirurgias no nariz, olhos, arcada dentária e seios da face, está sob os cuidados da família em casa.
De acordo com Gabriela, a médica deverá passar por outras intervenções cirúrgicas futuramente. “Ainda apresenta intenso abalo emocional, intensas sequelas físicas e, obviamente, passará ainda por algumas outras cirurgias reparadoras que serão avaliadas no decorrer do seu desenvolvimento”.
Justiça
Pedro Camilo teve o pedido de habeas corpus negado pela Justiça e segue preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente, no litoral de São Paulo.
Ao g1, o advogado Eugênio Malavasi informou que a defesa impetrará uma nova ordem de habeas corpus perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando a possibilidade da conversão da prisão preventiva por medidas cautelares diversas.
Por outro lado, a advogada da vítima celebrou a decisão da 7ª Câmara do TJ-SP. “É a segurança da própria vítima e de sua família e também a resposta do poder judiciário para a sociedade que vê diariamente mulheres sendo agredidas, espancadas e, infelizmente, sendo mortas nas mãos dos seus parceiros ou ex-parceiros”, disse Gabriela em entrevista ao g1.
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