A engrenagem entre celulose, engenheiros e o futuro do Brasil

Expansão da celulose expõe déficit de engenheiros e risco de apagão de talentos no Brasil. Um setor em crescimento sem precedentes revela não apenas oportunidades, mas também um desafio decisivo: formar os profissionais que garantirão que o país transforme essa ameaça em oportunidade e sustente sua liderança no futuro.

O setor de celulose no Brasil vive um momento de forte expansão, com investimentos bilionários que consolidam o país como um dos maiores produtores globais. Esse crescimento, no entanto, vem acompanhado de um desafio crescente: a falta de mão de obra qualificada em diversas etapas da cadeia, da floresta à indústria. Já são milhares de vagas abertas e novas contratações previstas, como têm apontado estudos da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), reportagens do Valor Econômico e análises publicadas no Portal Celulose.

Enquanto países como Alemanha e Coreia do Sul sustentam seu desenvolvimento em uma base sólida de engenheiros, o Brasil está ficando para trás. Dados do Confea revelam que temos apenas 5,5 engenheiros por mil habitantes, contra 12 a 15 engenheiros por mil habitantes na Coreia do Sul e Alemanha, Nos Estados Unidos e Japão os números são ainda mais expressivos, com cerca de 25 por mil.

O descompasso é claro: o setor industrial demanda cada vez mais profissionais, mas o interesse dos jovens pela carreira encolhe. Em 2018, o país formava 128 mil engenheiros; em 2023, foram apenas 93 mil. O desinteresse já começa no Ensino Médio: apenas 12% dos estudantes manifestam vontade de seguir na área (matéria veiculada no Valor Econômico em 22/8), trazendo a atenção para esse cenário: queda no interesse dos estudantes, desafios de evasão nos cursos tradicionais e risco concreto de apagão de engenheiros no país.

O CNI estima déficit de 75 mil engenheiros hoje. O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) divulgou os resultados de uma ampla pesquisa sobre o perfil dos profissionais de tecnologia e engenharia no Brasil em junho deste ano. Em entrevista concedida ao jornal Money Times seu presidente afirma que “se nada for feito, até 2030, teremos um déficit de cerca de 1 milhão de profissionais das tecnológicas e engenharias. O número já preocupa em 2025, com uma falta estimada de 500 mil profissionais no país”. As estimativas do CNI e do CONFEA são diferentes, mas apontam na mesma direção: o déficit atual de engenheiros, aliado à formação insuficiente e ao baixo interesse dos estudantes, alimenta uma espiral negativa que amplia a escassez de profissionais e compromete o desenvolvimento sustentável.

O futuro da bioeconomia, das energias renováveis e da própria liderança brasileira na celulose depende de ação imediata. Empresas do setor já se movimentam, investindo em capacitação, parcerias com Senai e universidades. Na Valmet temos consciência desse desafio e fomentamos o desenvolvimento de pessoas de forma estruturada. Mantemos programas de estágio universitário e técnico, além de cursos de pós-graduação in-house formatados em conjunto com a ABTCP e Universidades como a UFRJ. Também estruturamos programas específicos para desenvolvimento de lideranças em parceria com a FGV. São exemplos de iniciativas que mostram como empresas podem assumir protagonismo na formação de talentos, alinhadas com o avanço da industrial com o fortalecimento da educação no Brasil.

O Brasil tem tudo para ser protagonista da bioeconomia global. Mas, para isso, precisa valorizar a engenharia, investir em talentos e acreditar em sua própria capacidade de transformar desafios em conquistas.

O futuro não pode esperar: é hora de acelerar.

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