Semana do Psicólogo: Dependência excessiva de IA pode afetar saúde mental

Nesta semana em que se celebra o Dia do Psicólogo, especialistas em saúde mental chamam atenção para um novo desafio contemporâneo: a crescente dependência de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, na vida pessoal e profissional. Se, por um lado, esses recursos podem aumentar a produtividade e facilitar tarefas do dia a dia, por outro, o uso exagerado pode trazer impactos emocionais e cognitivos preocupantes.

Quando a tecnologia vira “muleta”

Segundo psicólogos, a IA pode se transformar em uma espécie de “muleta digital”, reduzindo a autonomia na tomada de decisões e a capacidade de reflexão crítica. Pessoas que passam a recorrer constantemente ao ChatGPT para resolver problemas simples, como responder mensagens, elaborar textos ou até mesmo orientar a vida pessoal, podem perder a confiança em si mesmas e desenvolver ansiedade diante de situações em que a tecnologia não está disponível.

É importante destacar que a inteligência artificial não é, por si só, vilã. Assim como outras tecnologias, ela se torna prejudicial quando usada sem equilíbrio.

Efeitos sobre a saúde mental

Entre os principais riscos apontados estão:

  • Ansiedade e insegurança: usuários que não conseguem atuar sem apoio da IA podem sentir incapacidade ou medo de errar.
  • Redução da criatividade: a terceirização do pensamento pode limitar o potencial criativo e dificultar o desenvolvimento de soluções próprias.
  • Isolamento social: a substituição de interações humanas por diálogos com máquinas pode enfraquecer vínculos e aumentar a sensação de solidão.
  • Dependência psicológica: em casos extremos, o hábito de consultar constantemente a IA pode evoluir para um comportamento compulsivo.

Um aliado que precisa de limites

É importante destacar que a inteligência artificial não é, por si só, vilã. Assim como outras tecnologias, ela se torna prejudicial quando usada sem equilíbrio. Psicólogos reforçam que a IA pode ser uma excelente parceira no trabalho e nos estudos, desde que venha acompanhada de uso consciente, senso crítico e autoconhecimento.

Leita também: ChatGPT: ajudante fiel ou vilão da criatividade e da produtividade?

O papel da psicologia

Para os profissionais de saúde mental, o desafio está em ajudar as pessoas a encontrarem um ponto de equilíbrio entre a conveniência tecnológica e a preservação das habilidades humanas, como criatividade, empatia e tomada de decisão. Em muitos casos, a psicoterapia pode apoiar indivíduos que já percebem sinais de dependência digital, ajudando-os a reconstruir autoconfiança e hábitos saudáveis.

Na era da hiperconectividade, o convite que fica nesta semana do psicólogo é simples:

A tecnologia deve ser uma ferramenta a nosso favor, e não um substituto da nossa autonomia.

Usada da forma certa, a IA pode ser uma grande aliada:

  • Mais acesso: aplicativos e chatbots podem oferecer apoio emocional a quem tem dificuldade de locomoção, horários restritos ou mora longe dos grandes centros.
  • Agilidade: ao automatizar tarefas, a IA permite que psicólogos atendam mais pessoas e dediquem mais tempo ao que realmente importa: o cuidado humano.
  • Dados que ajudam: análises de linguagem, padrões de sono ou até expressões faciais podem indicar sinais de alerta e auxiliar no diagnóstico.
  • Terapia sob medida: a tecnologia pode adaptar o atendimento ao ritmo e às necessidades de cada paciente.

Os desafios que não podemos ignorar

Apesar dos avanços, a IA ainda tem limites. Ela não sente empatia, não compreende nuances emocionais e pode gerar respostas perigosamente inadequadas em situações delicadas, como nos casos de ideação suicida.

A questão não é se vamos usar a IA na psicologia, mas como usá-la.

Um exemplo que ganhou repercussão internacional em 2024, uma família entrou com processo contra a OpenAI alegando que o ChatGPT falhou ao interagir com um adolescente em risco de suicídio, reforçando a preocupação com o uso de IA sem supervisão profissional. Outro estudo mostrou que, ao responder frases ligadas a sofrimento emocional profundo, alguns chatbots chegaram a devolver mensagens otimistas e fora de contexto, o que poderia agravar ainda mais o estado do paciente.

Além disso, a falta de regulamentação clara sobre o uso terapêutico da IA levanta sérias questões de segurança e privacidade. Quem garante que dados sensíveis compartilhados em conversas com aplicativos não serão usados de forma inadequada?

Esses episódios lembram que, por mais poderosa que seja a tecnologia, ela ainda não substitui a escuta qualificada, a sensibilidade e o julgamento clínico de um psicólogo.

O equilíbrio entre tecnologia e humanidade

A questão não é se vamos usar a IA na psicologia, mas como usá-la. A tecnologia pode apoiar, otimizar e personalizar, mas nunca substituir a escuta, o acolhimento e a sensibilidade de um psicólogo.

O futuro aponta para uma parceria entre tecnologia e psicologia, mas sempre com ética, responsabilidade e, acima de tudo, respeito à vida e à saúde mental. Cuidar da saúde emocional, manter conexões humanas e exercitar o pensamento crítico são atitudes fundamentais para que a inteligência artificial seja um recurso de apoio e não uma forma silenciosa de aprisionamento psicológico.


A tecnologia pode ser uma valiosa aliada para todos nós, desde que seja utilizada de maneira equilibrada e segura, garantindo que todos nós tenhamos acesso seguro e informações confiáveis.

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