É #FAKE que Lindbergh, Manuela d’Ávila, Gleisi e Jean Wyllys são mandantes da facada em Bolsonaro; PF aponta que Adélio agiu sozinho


Adélio Bispo agiu sozinho no atentado contra Bolsonaro
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Circula nas redes sociais um vídeo que acusa Lindbergh Farias, Manuela d’Ávila, Gleisi Hoffmann e Jean Wyllys de terem mandado Adélio Bispo esfaquear o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). É #FAKE.
selo fake
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🛑 O que diz a publicação?
Publicado no X em 22 de julho de 2025, o vídeo passou de 325 mil visualizações e mostra um homem fazendo alegações sobre o atentado cometido por Adélio Bispo contra o então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, ocorrido em setembro de 2018 durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).
O mesmo conteúdo circulou no WhatsApp (a mensagem com o vídeo vem com a advertência “encaminhado com frequência”).
Num primeiro momento, o homem fala: “Eu denunciei aqui para que todo mundo soubesse que foi Lindbergh Farias, ao lado de Manuela d’Ávila, Gleisi Hoffmann e Jean Wyllys os autores da facada de Jair Bolsonaro. Eu mostrei aqui e publiquei o áudio onde a Manuela d’Ávila conversava com o canalha do Adélio Bispo”.
Depois, fala sobre a placa de um suposto carro que teria sido usado no deslocamento de Adélio tanto: “Só que agora eu vou um pouco mais longe: eu tenho a placa do carro que trouxe esse canalha do Adélio até Juiz de Fora. Esse mesmo carro levou o mesmo Adélio a Santos Dumont (MG) para conversar com a Manuela d’Ávila [então candidata à vice na chapa de Fernando Haddad (PT)]”.
⚠️️ Por que isso é mentira?
A Polícia Federal conduziu duas investigações sobre o caso Adélio. A primeira, concluída em setembro de 2018, apontou que ele agiu sem ajuda de outras pessoas, tanto na preparação quanto na execução do atentado.
Ainda em setembro 2018, a PF instaurou um segundo inquérito para apurar se o autor do crime tinha conexão com algum grupo ou organização criminosa. Concluído em maio de 2020, ele apontou: “não foi comprovada a participação de agremiações partidárias, ou facções criminosas em qualquer das fases do crime (cogitação, preparação e execução) […] ainda que a maioria das pessoas acredite no suporte logístico ao perpetrador”.
Adélio foi considerado inimputável pela Justiça, em razão do diagnóstico de transtorno delirante permanente paranoide. Nem a defesa de Bolsonaro, nem o Ministério Público Federal recorreram da decisão, e processo foi encerrado.
O Fato ou Fake analisou o inquérito sobre o caso e confrontou as conclusões das autoridades com as afirmações feitas no vídeo viral.
❌ Sobre Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann
Lindbergh e Gleisi Hoffmann não são citados na investigação.
❌ Sobre Manuela d’Ávila:
A PF investigou alegações veiculadas nas redes sociais que questionavam se a então candidata à vice-presidente teria ligado 18 vezes para Adélio Bispo no dia do atentado. A investigação concluiu que esses telefonemas “definitivamente nunca existiram”.
❌ Sobre Jean Wyllys:
A alegação de que Adélio teria se encontrado com o então deputado federal na Câmara, em 2013, partiu de uma testemunha (Luciano Mergulhador) que, segundo autoridades, não foi categórica em confirmar a informação.
Apesar de Adélio ter registros de entrada na Câmara em 2013, a investigação não encontrou nenhuma evidência ou vínculo concreto entre Adélio e Jean Wyllys, como registros telefônicos, mensagens, e-mails ou interações em redes sociais que ligassem. Sem isso, a PF concluiu que não havia justa causa para prosseguir com essa linha investigativa.
❌ Sobre outras pessoas que teriam ajudado Adélio:
A PF analisou objetos pessoais de Adélio (anotações em cadernos e um laptop), documentos, dados de pessoas que conviveram com ele por 2 anos, interações em redes sociais e sinais de 61 antenas de transmissão de celular em Santa Catarina (onde o autor do atentado estava antes de ir a Juiz de Fora) e em Minas Gerais. O cruzamento de todas essas informações levou a PF concluir que Adelio não chegou a se encontrar com outra pessoa para o planejamento da ação.
Em depoimento, Adélio Bispo declarou que “a ideia de atentar contra a vida do candidato surgiu quando soube pelos jornais que este iria à cidade de Juiz de Fora”. Ele residia na cidade havia ao menos duas semanas e foi flagrado por testemunhas em locais públicos da cidade, como uma padaria, uma lan house e a hospedagem onde ficou.
A investigação considerou a possibilidade de Adélio ter premeditado a ação ainda quando frequentava um clube de tiro em Florianópolis dois meses antes do atentado, mas as diligências concluíram que, se houvesse a intenção de ferir alguém, “tal fato não ultrapassou as fases da cogitação ou dos atos preparatórios”.
As investigações refutam a hipótese de apoio ou financiamento de terceiros nesse contexto, reforçando a conclusão de que todo o plano e a execução do crime ocorreram de forma isolada.
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