Na próxima segunda-feira, 1º de setembro, às 18h30, o CineBancários promove a exibição do documentário O Verde Está do Outro Lado, seguida de um debate público com Juremir Machado da Silva, Eduardo Bueno (Peninha) e Sandra Daruí, representante do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). A entrada é gratuita, mediante a lotação da sala.
O encontro é promovido pela Frente em Defesa da Água e do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) Público e Estatal, em parceria com o SindBancários e o Simpa. O objetivo é ampliar a discussão sobre a gestão da água e os impactos da proposta de concessão dos serviços do Dmae para a iniciativa privada em Porto Alegre.

Água como mercadoria
O debate busca levantar reflexões sobre a transformação da água — um bem essencial à vida — em mercadoria sujeita à lógica do lucro. A preocupação não é exclusiva da capital gaúcha. Em diferentes países da América Latina, a privatização e o controle concentrado da água têm gerado impactos sociais, ambientais e econômicos.
O documentário, que carrega o subtítulo Os donos da água, expõe como processos privatistas e de exploração intensiva dos recursos hídricos marcaram as últimas quatro décadas no continente. Grandes empresas, muitas vezes em associação com governos locais, passaram a controlar o acesso a mananciais, restringindo a disponibilidade para comunidades e pequenos agricultores.
Em Porto Alegre, organizações sociais alertam que a possível concessão do Dmae pode reproduzir este cenário, comprometendo o acesso universal à água tratada. Para os movimentos envolvidos, a população precisa ser informada e mobilizada para participar da decisão.

O documentário
O Verde Está do Outro Lado é o primeiro longa-metragem de Daniel A. Rubio. A produção, realizada entre Brasil e Chile, estabelece um paralelo entre as experiências de dois territórios: Correntina, no oeste da Bahia, e a Província de Petorca, no Chile.
Por meio de entrevistas com moradores, agricultores, ambientalistas e representantes políticos, o filme analisa como diferentes modelos de gestão da água afetam a vida cotidiana e a sustentabilidade local.

No caso chileno, a privatização da água implementada em 1981 resultou em concentração do recurso nas mãos de grandes empresas. Quase quatro décadas depois, as consequências seguem evidentes: comunidades rurais sofrem com a escassez de água para irrigação e até mesmo para o consumo humano. Em Petorca, famílias de pequenos agricultores relatam perdas e dificuldades permanentes.
No Brasil, o documentário apresenta a situação em Correntina, onde comunidades enfrentam conflitos com grandes empreendimentos que consomem volumes significativos de água para produção em larga escala, enquanto populações locais denunciam a falta do recurso em quantidade suficiente para seu uso cotidiano.
Debate em Porto Alegre
Após a exibição, o debate no CineBancários contará com a participação do jornalista e professor Juremir Machado da Silva, do escritor Eduardo Bueno e de Sandra Daruí, dirigente do Simpa. O diálogo busca relacionar as experiências mostradas no filme com o contexto atual de Porto Alegre, discutindo as possíveis consequências da privatização da gestão da água no município.
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