Marinha do Brasil inaugura sino do futuro submarino nuclear ‘Álvaro Alberto’

Marinha realiza cerimônia de inauguração do sino do submarino nuclear ‘Almirante Álvaro Alberto’

A Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM) realizou, no dia 28 de março, a cerimônia de inauguração do sino do futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA) Almirante Álvaro Alberto. O evento ocorreu no pátio da DGDNTM e foi presidido pelo Diretor-Geral, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria.

Durante a solenidade, foi lida a mensagem oficial do Diretor-Geral pela Caverna Mestra da DGDNTM, 2º Sargento-PD Manassés Bastos Carneiro Junior, que destacou o simbolismo do ato: “A Tradição do Sino: Um Símbolo de herança e de crença no futuro.”

A cerimônia contou ainda com a bênção do sino, realizada pelo Capelão Naval do Comando do 8º Distrito Naval, Capitão de Fragata Paulo Roberto Moliterno da Costa, reforçando o caráter histórico e simbólico do momento.

O sino é um dos elementos tradicionais de todo navio da Marinha, carregando consigo significados de identidade, continuidade e herança naval. No caso do “Almirante Álvaro Alberto”, primeiro submarino nuclear brasileiro, o gesto marca mais um passo no avanço do Programa de Submarinos (Prosub) e na consolidação da capacidade estratégica do Brasil no setor de defesa.■

 

A Tradição do Sino: Um Símbolo de herança e de crença no futuro

Há muitos séculos, os homens do mar criam nomes para identificar as diversas partes dos navios e designar a praxe do seu uso e utilidade, as quais, pela repetição, tornaram-se costumes. Vivendo experiências semelhantes nos portos ou na imensidão oceânica, os marinheiros criaram costumes, usos e linguagem comuns: “as tradições do mar”.

Uma classe de espírito muito forte, os homens do mar nutrem um respeito comum às tradições, as quais dão grandeza, vinculando-as a um extraordinário ânimo patriótico e a uma grande veneração dos valores espirituais que o ligam à comunidade marítima, constituindo-se em elemento comunitário, num poderoso aglutinador. Assim, as tradições, as cerimônias e os usos marinheiros, juntamente com os costumes, têm extraordinário poder de amalgamar e incentivar os que vivem do mar, nós marinheiros.

A tradição do sino nos navios tem uma grande importância histórica e simbólica, com várias funções práticas e culturais, possuindo uma carga simbólica profunda, ligando marinheiros de diferentes épocas e perpetuando rituais de respeito e união.

Ferramenta essencial para manter a ordem a bordo, historicamente, o sino é usado para marcar as horas e o ritmo a bordo dos navios. Ele ajuda a dividir o tempo de serviço dos marinheiros e outras tarefas, criando uma cadência quase ritualística para o ritmo de vida no mar. O sino possui uma das poucas cordas que temos a bordo: a corda do sino. Juntando-se à corda do relógio, o resto é cabo.

Em emergências, como tempestades, incêndios ou ataques inimigos, o sino era utilizado como sinal de alerta. O som grave e imponente cortava o silêncio da vastidão do mar, convocando imediatamente todos a se prepararem para o que fosse necessário.

O sino tem uma grande carga simbólica em muitas culturas náuticas. Em algumas Marinhas, ele inclusive marca a chegada de novos membros da Família Naval, transformando-se em pia batismal, passando a ter o nome da criança gravado no seu interior. De forma indelével, esta nova vida, sempre estará ligada àquela Marinha e suas tradições.

Talvez em função disso, o sino também é visto como um talismã de boa sorte e proteção. O som do sino poderia ajudar a afastar espíritos malignos ou a trazer uma sensação de segurança para a tripulação em viagens longas e muitas vezes perigosas. Mais recente, esse senso de segurança e de vitória é usado para marcar inclusive o fim de longos e dolorosos tratamentos de saúde, os chamados “Sinos da Vitória e da Perseverança”, tendo como mensagem “Aguente firme! Dia após dia, de conquista em conquista, chegaremos juntos até a vitória final!”. Essa tradição foi iniciada pelo Almirante Norte-americano Irve Le Moyne quando do término de radioterapia em 1996, quando pediu para tocar um sino como parte da tradição naval na conclusão de um bom trabalho. Uma tradição marinheira que alcançou novos usos.

Apesar de modernizada ou substituída por tecnologias mais eficientes, a tradição do sino continua a ser uma prática cultural tangível e histórica importante. Como exemplo, denominado Vox Patris, o maior sino do mundo está a caminho do Brasil, vindo da Polônia, previsto para chegar em maio deste ano. Suas 55 toneladas e 4 metros de altura serão instaladas no Santuário Basílica na cidade de Trindade, Região Metropolitana de Goiânia (GO), transformando-se em um novo atrativo turístico.

Em resumo, a tradição do sino é uma combinação de utilidade prática, simbolismo cultural, respeito pelas antigas práticas marítimas e crença no futuro, representando um elo forte entre diferentes gerações, criando um senso de continuidade e de pertencimento, perpetuando uma tradição que transcende o seu tempo.

Desta forma, a tangibilidade do Sino do futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado Almirante Álvaro Alberto, de 32 kg, construído em Piracicaba-SP, e que no dia de hoje é inaugurado aqui na sede da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, nos mostra que apesar do longo caminho ainda a ser percorrido, ele passa a cada dia a ser real, a nossa transformação em uma Marinha Nuclear é tangível, e este sino reluzente nos mostrará que o caminho está sendo pavimentado e construído com muito suor por aqueles que aqui passarem.

Como no seu melhor simbolismo, seu som espantará os perigos e nos trará boa sorte e proteção para a derrota ainda a ser navegada por nós e pelos marinheiros que nos sucederão nesta empreitada, rendendo uma justa homenagem ao Almirante Álvaro Alberto, Patrono da Ciência e Tecnologia da Marinha, e cujo primeiro submarino nuclear convencionalmente armado será nomeado.

“Aguentem firmes! Dia após dia, de conquista em conquista, estaremos juntos até a vitória final no lançamento ao mar do SNCA Almirante Álvaro Alberto, tendo a bordo, este sino que, a partir de hoje, contemplará o caminho que nós trilharemos juntos, nos forjando para uma Marinha Nuclear”.■


 

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