Brasília, 28 de agosto de 2025 – O Diário Oficial da União publicou nesta quinta-feira (28) dois contratos bilionários celebrados entre a Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM) e o grupo francês Naval Group, no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub).
O Contrato nº 21/2025, avaliado em 246,3 milhões de euros, tem como objeto a prestação de serviços especiais de engenharia, aquisição e construção para a montagem eletromecânica do Prédio Auxiliar Controlado (PAC) do Laboratório de Geração Nucleoelétrica (LABGENE). O contrato terá vigência de 72 meses a partir de 4 de junho de 2025, data da assinatura.
Já o Contrato nº 20/2025, no valor de 282,1 milhões de euros, prevê serviços especializados de consultoria técnica para os Sistemas Adicionais do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA), batizado de Álvaro Alberto. Esse acordo terá duração de 54 meses, também a partir de junho. Ambos foram firmados por dispensa de licitação. O total aproximado dos dois contratos é de R$ 3,171 bilhões.
Importância estratégica

O LABGENE, localizado em Aramar (SP), é um dos pilares do programa nuclear da Marinha e serve como protótipo em terra do reator que equipará o submarino nuclear brasileiro. Ele permitirá validar, em ambiente controlado, a operação do reator, sistemas de segurança e de geração de energia antes de sua instalação no SNCA Álvaro Alberto.
O submarino nuclear Álvaro Alberto, por sua vez, é considerado o projeto mais ambicioso da história naval brasileira. Diferentemente dos quatro submarinos convencionais da classe Riachuelo já entregues ou em construção, o Álvaro Alberto será o primeiro da América Latina a contar com propulsão nuclear, garantindo maior autonomia, velocidade sustentada e capacidade de permanência no mar.

Cooperação com a França
O Naval Group, parceiro estratégico do Brasil desde o início do Prosub em 2008, já foi responsável pela transferência de tecnologia e pelo apoio à construção dos submarinos convencionais no estaleiro de Itaguaí (RJ). Agora, amplia sua participação na fase nuclear, considerada a mais complexa do programa.
Projeção internacional

Com o avanço do Prosub, o Brasil se aproxima do seleto grupo de países que dominam a tecnologia de propulsão nuclear naval – atualmente restrito a Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Índia. O Álvaro Alberto representará não apenas um salto tecnológico, mas também um reforço geopolítico, ampliando a capacidade de dissuasão estratégica no Atlântico Sul e a proteção das riquezas do pré-sal e da Amazônia Azul.■
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