
Pouco mais de um ano após o atropelamento que tirou a vida da pequena Laura Beatriz, de apenas 5 anos, a mãe dela, Maura Núbia Borges da Vitória, ainda lida com sequelas físicas e emocionais da tragédia.
As duas foram atropeladas enquanto atravessavam na faixa de pedestres, assim que saíram do Pronto Atendimento da Glória, em Vila Velha. Laura estava no colo da mãe, mas não resistiu aos ferimentos e morreu três dias após o caso.
Desde então, para além da ausência de Laura, Maura lida com problemas físicos. Ela chegou a ficar quatro meses em uma cadeira de rodas e até hoje depende de uma bota ortopédica.
A mãe de Laura Beatriz também passou por diversas cirurgias para reconstruir o joelho esquerdo, além de colocação de pinos no braço esquerdo.
Ela conta que no dia do atropelamento, havia levado Laura Beatriz para o PA da Glória pois a menina, que tinha autismo tipo 1, reclamava de dores de estômago e enjoo.
“Eu vi ela mais amuadinha no sofá e deitada de bruços, aí falei para meu esposo que ia levar no médico. Ela disse que a barriga doía, ela estava com enjoo. Peguei um Uber e fui. Por volta de 21h eu estava saindo do PA e só vi o outro carro, depois me lembro só de estar no chão e jorrando muito sangue pela testa”, relatou.
“Morreu nos meus braços”, conta mãe
Maura teve diversas fraturas, além de um traumatismo craniano, assim como a filha. Laura ficou ligada a aparelhos, mas parou de responder a estímulos médicos.
Segundo Maura, antes mesmo de passar por qualquer cirurgia foi o momento de se despedir da filha, que morreu nos seus braços.
“A médica falou: mãe, esse é o seu momento, ela colocou o capote e colocou a Laura em cima de mim. Quando ela colocou em cima de mim a máquina já começou a disparar, ela morreu nos meus braços”, contou.
Maura passou pela primeira cirurgia apenas após o enterro da filha, quando não conseguia sequer ficar de pé.
Motorista deve ir à júri popular em outubro
À época do crime, Wenderson Fagundes Melo de Oliveira, de 20 anos, motorista que dirigia o carro, não parou para prestar socorro. Em vídeo, ele afirmou ter ficado com medo de ser linchado pela população.
Ele se entregou à polícia, mas foi liberado, sendo preso novamente no dia 27 de agosto e permanece até hoje em um presídio.
A família do suspeito ajuda a vítima financeiramente com o que precisa, uma vez que Maura ainda não conta com apoio do INSS, já que não pode trabalhar.
De acordo com Maura, as lembranças de Laura Beatriz a mantêm forte para que siga em frente após a tragédia e na busca por justiça.
“Eram momentos em que eu ocupava minha mente, como as terapias, eu levava ela certinho às terapias. Estou tentando ser forte por ela, conseguindo seguir por ela”, afirmou.
Wenderson deve ir à júri popular em outubro deste ano, e segundo o advogado dele, João Felipe Nicolau, o jovem segue muito abalado com o caso.
“Ele está muito triste, muito abalado. A situação é muito desgastante mentalmente para ele. Ele é um rapaz novo, que tem toda uma vida pela frente, quando o fato aconteceu ele tinha 19 anos”, disse.
Relembre o caso
O acidente aconteceu na frente do Pronto-Atendimento (PA) da Glória, quando o semáforo estava vermelho para os carros.
Com o impacto, Laura foi arremessada com a mãe por cerca de 5 metros. O carro que atingiu as duas era conduzido por Wenderson.
Maura sofreu fraturas expostas no acidente. O atropelamento gerou comoção nas redes sociais e entre os moradores de Vila Velha, que cobram justiça e medidas mais rigorosas para crimes de trânsito que colocam vidas em risco.
*Com informações da repórter Luciana Leitch, da TV Vitória/Record