
O atropelamento de uma adolescente de 14 anos por um trem em Flexal I, Cariacica, acendeu um alerta sobre os riscos do uso de celular e fones de ouvido no trânsito. A jovem, que no momento do acidente estava mexendo no aparelho e com os fones conectados, sobreviveu após ser socorrida em estado grave e segue internada no Hospital Infantil de Vitória.
A mãe da vítima, Ivanilda França, relatou que considera a recuperação da filha um milagre. “Deus pegou minha filha e salvou, foi um milagre. Ela nasceu de novo! Ela não consegue se lembrar de nada. Só quero abraçar ela e trazer para casa”, desabafou.
Veja o vídeo:
Para o capitão Anthony M. Costa, especialista em Segurança Viária, o caso reforça a importância da atenção de pedestres e motoristas. Ele explica que o uso do celular é um dos principais fatores de risco no trânsito.
A distração ao celular é um dos principais fatores de risco no trânsito, e isso vale tanto para condutores quanto para pedestres. Quando o motorista ou pedestre manuseia o aparelho, a atenção principal vai para o celular, e o ambiente ao redor se transforma em um pano de fundo. Essa é uma armadilha que pode custar vidas.”
Anthony M. Costa, especialista em Segurança Viária
O capitão destaca que estudos da psicologia apontam ser impossível dedicar atenção de qualidade a estímulos diferentes ao mesmo tempo.
Segundo o especialista, medidas simples podem evitar acidentes como o da adolescente:
- Pedestres: devem manter atenção ao redor e evitar caminhar com fones de ouvido ou mexendo no celular.
- Motoristas: nunca manusear o telefone enquanto dirige.
- Adolescentes: grupo mais vulnerável por usar o celular com frequência, devem ser conscientizados sobre os riscos.
Além do trânsito, o capitão lembra que o uso do celular em movimento aumenta o risco de furtos e assaltos.
Precisa verificar uma mensagem? Pare, procure um lugar seguro e só então use o celular. Nós somos os principais promotores da nossa própria segurança.”
Anthony M. Costa
Entenda o caso
De acordo com testemunhas, a adolescente caminhava por uma passagem entre os trilhos usada por moradores e estudantes da região quando foi atingida pela locomotiva. Policiais militares que passavam pelo local prestaram os primeiros socorros.
Ela sofreu traumatismo craniano, fraturas em costelas e na bacia, além de um corte profundo no pescoço. Apesar da gravidade, está consciente e chegou a conversar com a mãe.
A Vale, responsável pelo trem, informou em nota que o maquinista acionou buzina, faróis e freios de emergência, mas não conseguiu evitar o impacto. A empresa disse ainda que mantém contato com a família.