
No Brasil, setores exportadores manifestaram preocupação nesta sexta-feira (29) com a possibilidade de o Brasil aplicar o princípio de reciprocidade em relação ao “tarifaço” americano.
O governo brasileiro notificou o governo americano sobre a abertura de consultas para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.
A Confederação Nacional da Indústria defendeu a persistência nas negociações e afirmou que esse não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.
A Câmara Americana de Comércio no Brasil também defendeu a busca do diálogo. Segundo uma pesquisa da Ancham, 86% das empresas avaliam que medidas de reciprocidade tenderiam a agravar o conflito bilateral e reduzir o espaço para negociações.
Em entrevista à GloboNews, o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, Márcio Ferreira, disse que o tarifaço tem provocado aumento de preço nos Estados Unidos e que o Brasil deve aguardar:
“Nós já temos informações de anúncios de cafeterias, várias pequenas cafeterias, milhares que estão sofrendo nos Estados Unidos e podem vir a fechar, literalmente, porque não aguentam. E o consumidor vendo o preço disparado. Nesse sentido, tempo conta a nosso favor”, afirmou.
O tarifaço tem provocado aumento de preço nos Estados Unidos e que o Brasil deve aguardar
Jornal Nacional
Foi logo depois de uma conversa ontem com a China que o governo brasileiro anunciou o início do processo que pode levar à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. O ofício encaminhado à Câmara de Comércio Exterior destaca que as ações de Donald Trump têm caráter político.
A ação do governo dos Estados Unidos se caracteriza como interferência nas escolhas soberanas do Brasil, buscando impedir ou obter a cessação, a modificação ou a adoção de ato específico ou de práticas no Brasil.
Num evento em Minas, o presidente Lula defendeu a aplicação da reciprocidade:
“Eu vou visitar 11 países da Ásia em outubro e vamos discutir, sabe, produtos brasileiros para a Ásia. Eu não vou ficar chorando o leite derramado. Antigamente, o comércio do Brasil com os Estados Unidos significava 25% do comércio, hoje significa apenas 12%. Agora, o que nós temos que fazer? O que nós temos é que dar a resposta da reciprocidade naquilo que a gente quer fazer.”