A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma tendência para se tornar parte estratégica da operação da indústria de celulose. Na CENIBRA, a tecnologia já está integrada em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o manejo florestal até o ambiente fabril, passando pela logística, áreas administrativas e corporativas.
No ambiente fabril, a IA é utilizada para otimizar processos críticos e antecipar falhas, aumentando a confiabilidade e a produtividade da operação. Sistemas avançados analisam variáveis complexas, realizam predições de falhas em equipamentos e substituem análises laboratoriais demoradas, agilizando a tomada de decisão. “A IA otimiza variáveis críticas do processo, realiza análises preditivas de falhas em equipamentos e classifica o lodo biológico em tempo real”, explica Leandro Coelho Dalvi, diretor Técnico, Industrial e Florestal da CENIBRA.
Além disso, a IA auxilia na manutenção preditiva, permitindo que equipes identifiquem problemas antes que ocorram. “IA permite antecipar falhas com semanas de antecedência e melhora a disponibilidade dos equipamentos”, reforça o executivo.
FLORESTA INTELIGENTE E PRODUTIVIDADE
No setor florestal, a tecnologia é aplicada tanto para segurança quanto para eficiência operacional. Sistemas de monitoramento detectam incêndios florestais com precisão, enquanto sensores embarcados acompanham a fadiga dos motoristas, identificando bocejos, distrações ou ausência de rosto. “A IA para detecção de incêndios com sistema SADI tem precisão de alarme acima de 99,9%”, destaca Dalvi.
Além disso, algoritmos de IA auxiliam no planejamento florestal de curto, médio e longo prazo, otimização de rotas de colheita e combate a pragas, garantindo maior produtividade e sustentabilidade.
A transformação digital também chega às áreas administrativas e corporativas. Chatbots internos e assistentes baseados em IA generativa apoiam processos de RH, TI e Fomento Florestal, além de agilizar tarefas como resumos de e-mails, elaboração de apresentações e análise de documentos. “A adoção do Copilot em todas as áreas e também o uso do ChatGPT têm aumentado a produtividade em diversas frentes”, afirma Dalvi.
No contexto de RPAs (Robotic Process Automation), a IA automatiza processos em suprimentos, controladoria, comercial e logística, liberando os profissionais para tarefas mais estratégicas e reduzindo erros.
SUSTENTABILIDADE E METAS ESG
A IA tem se mostrado um importante aliado para cumprir metas ambientais, sociais e de governança (ESG). Ela permite identificar equipamentos de alto consumo, otimizar processos de geração e consumo de energia, reduzir desperdícios e antecipar intervenções corretivas. “A IA identifica equipamentos com maior consumo de água e energia e reduz desperdícios”, pontua Dalvi.
Em questões sociais, a tecnologia monitora a fadiga de motoristas e garante a utilização de equipamentos de proteção individual, além de automatizar processos críticos, reduzindo riscos humanos. Na governança, auxilia em compliance automatizado, rastreabilidade de decisões e análise documental inteligente.
PROFISSIONAIS DO FUTURO E PERSPECTIVAS
A integração da IA também redefine o papel dos profissionais de manutenção e operação. Antes centrados em atividades reativas, os técnicos passam a atuar como analistas de dados operacionais, interpretando modelos preditivos, ajustando parâmetros e colaborando com cientistas de dados. “A expectativa é que o profissional passe a atuar como analista de dados operacionais, interpretando modelos preditivos e colaborando com cientistas de dados”, avalia Dalvi.
Na era das fábricas inteligentes, engenheiros e técnicos tornam-se orquestradores de soluções digitais, combinando automação, análise de dados e IA para garantir eficiência, segurança e inovação contínua.
Apesar dos avanços, implementar IA ainda apresenta desafios: dados não estruturados, altos custos, resistência cultural e falta de regulamentação são barreiras a serem superadas. “A CENIBRA já capacitou 25 cientistas de dados e promove eventos como ‘Prontidão em IA: Cultura Digital’”, ressalta Dalvi.
Para os próximos cinco anos, a expectativa é que a IA seja central em planejamento florestal, logística inteligente, ESG automatizado, modelos de negócio baseados em dados e redução de consumos e quebras operacionais. “A IA não é um fim, mas um meio para transformar desafios em oportunidades. O futuro da indústria de celulose será moldado por quem tiver coragem de transformar o complexo em oportunidade”, conclui o diretor.
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